SEXUALIDADE EM PERIGO

Você sabia que de 30 a 40% dos homens na faixa de 50 anos podem apresentar desinteresse sexual e disfunção erétil devido àquela gordurinha que se acumula no abdome, a famosa “barriga de chope”? E os mais jovens (abaixo dos 40 anos) não estão fora de perigo?

Inimiga notória do coração, a obesidade também pode comprometer a performance sexual, embora os pacientes não costumem tocar no assunto, a menos que o médico pergunte. Homens com IMC superior a 30 kg/m² e circunferência abdominal acima de 94 cm estão mais sujeitos às dificuldades de ereção. Isto porque a obesidade afeta os hormônios. Uma enzima presente no tecido gorduroso converte a testosterona em estrógeno. Assim, há diminuição nos níveis do hormônio masculino diretamente relacionado ao desejo sexual e aumento na produção do hormônio feminino, causando um desbalanço hormonal altamente nocivo para a sexualidade do homem.

O stress, tão generalizado em nosso meio, além de tabagismo e abuso de álcool, podem agravar o quadro. Fora isso, o excesso de peso contribui para aumento de colesterol, hipertensão arterial e diabetes, o que favorece o aparecimento de perigosas placas nas artérias, capazes de provocar tanto a doença macrovascular, caso do infarto do miocárdio e do acidente vascular cerebral (derrame), como a doença microvascular, que tem como principal manifestação a disfunção erétil, quando há prejuízo ao fluxo de sangue para o pênis, justamente o que sustenta a ereção.

A falta do desejo sexual em homens com excesso de peso pode ser restabelecida sem necessidade de reposição hormonal – se nenhuma patologia for detectada após avaliações clínicas e laboratoriais – por meio do emagrecimento.

Em casos de comprovada deficiência de hormônios, a reposição é aconselhada e deve ser realizada sempre com a avaliação do endocrinologista.

A prática regular de exercícios físicos, por si só, já colabora para a solução do problema – enquanto o sedentarismo piora o que já não vai bem. Pesquisadores da Universidade de Porto, em Portugal acompanharam 478 homens entre 43 e 69 anos com diagnóstico de disfunção erétil e observaram ligeira melhora ao aderirem a exercícios aeróbicos com intensidade moderada a vigorosa, caso da corrida. Se os participantes também tivessem feito ajustes na dieta, os resultados seriam ainda mais expressivos.

Um médico pode ajudá-lo a conquistar um peso adequado, orientando a adoção de uma dieta de melhor qualidade e de exercícios físicos regulares, que ainda colaboram para a redução do stress.

Isto não quer dizer que você nunca mais vai poder tomar a sua cervejinha.

Vale a pena reavaliar hábitos com impacto tão negativo na sua qualidade de vida.