INFÂNCIA MAIS TECNOLÓGICA... E OBESA!

Estavam no restaurante o pai, a mãe e dois filhos, de 5 e 7 anos. Enquanto as crianças permaneciam atentas aos seus tablets, o pai e a mãe enfiavam a comida na boca de cada uma. Elas não tiravam os olhos das telas. Nem sabiam o que tinha no prato; podia ser qualquer porcaria. Foi uma cena dantesca!

Se antes já era preocupante o impacto da TV sobre o peso, não apenas por ser uma atividade sedentária – está provado que comer diante do aparelho aumenta o risco de obesidade, porque a tendência é comer mais depressa, exagerar na quantidade e preferir comida de má qualidade – imagino o que acontecerá agora que as telinhas nos acompanham a todos os lugares, deixando crianças cada vez menores, hipnotizadas e incapazes de interagir e de brincar. Segundo a Organização Mundial da Saúde, já existem no mundo 124 milhões de crianças e jovens (entre 5 e 19 anos) obesos, um número dez vezes maior do que o registrado há quatro décadas.

Para reverter esses índices, precisamos tomar medidas urgentes. Não creio que o caminho seja proibir alimentos, mas os pais precisam se comprometer a melhorar a qualidade da comida oferecida e reduzir a quantidade. Também devem favorecer mudanças no comportamento dos seus filhos. O sucesso depende do apoio da família.

A principal orientação é comer todos juntos, à mesa, com a TV desligada, para ensinar as crianças a saborearem os alimentos, valorizarem a refeição e desfrutarem daquele momento de convivência entre a família. Isso está se perdendo. Cada um fica entretido no seu celular e não se conversa mais.

Computador, TV e videogame devem se limitar a duas horas por dia. Durante esse período, a criança pode escolher o que quiser. Mas só por duas horas. No resto do tempo, é importante estimular a realização de atividades físicas: praticar algum esporte, andar de bicicleta. Não dá para passar o dia inteiro largado no sofá.

A exposição às telas também deve ser reduzida à noite. Tenho combinado com meus pacientes mirins de entregarem o celular para os pais às 22h30, depois irem para a cama ler um livro interessante, adequado à faixa etária. A luz emitida pelo aparelho pode inibir a síntese de melatonina, hormônio que avisa ao organismo que é noite. A falta de melatonina afeta a produção de vários hormônios, dentre eles o do crescimento e os que regulam a fome e a saciedade (leptina e grelina). Resultado: quanto mais tempo a pessoa fica acordada à noite, maiores as chances de engordar porque vai ter fome quando não deveria. São pequenas ações que fazem a diferença.