DESCONFIE DE FALSAS PROMESSAS

É surpreendente a quantidade de produtos para emagrecer que encontramos ao navegar pela Internet, todos prometendo perda de peso rápida e eficaz como num passe de mágica. Canela de velho, manga africana, noz da Índia, farinha de feijão branco, chá de oliveira, goji berry e óleo de coco, só para citar exemplos recentes.

Costumo dizer que se alguém quiser ficar muito rico, basta aparecer com uma novidade para emagrecer. Todo mundo compra. Quando descobrirem que não funciona, a pessoa já terá engordado sua conta bancária.

Em geral nenhum desses produtos tem a eficácia confirmada. No entanto, na ânsia de alcançar o corpo desejado, há quem prefira ouvir a cabeleira. Daí larga o tratamento prescrito pelo médico e passa a tomar aquele chá tiro-e-queda sugerido por ela. Assim perde tempo, dinheiro e às vezes até coloca a saúde em risco.

Não existem atalhos para emagrecer e manter o peso adequado. É preciso melhorar a qualidade da alimentação, dar preferência a hortaliças, frutas e carnes magras e reduzir o consumo de produtos industrializados. Descascar mais e desembalar menos, como se diz atualmente.

Também não há uma dieta universal capaz de resolver de vez o problema da obesidade, como demonstrou um estudo publicado em fevereiro de 2018 no JAMA, o jornal da Associação Médica Americana. Cientistas da Universidade Stanford (EUA) investigaram qual dieta é melhor para emagrecer: pobre em gorduras ou em carboidratos. Para isso recrutaram 609 homens e mulheres com idades entre 18 e 50 anos, que foram divididos em dois grupos: dieta com redução de carboidratos (low-carb) e com redução de gordura (low-fat).

Um ano depois, concluíram que os dois programas foram equivalentes na redução de peso. Os participantes de ambos os grupos eliminaram, em média, 13 quilos, mas houve muitas diferenças individuais. “Talvez seja hora de deixar de perguntar qual é a melhor dieta, mas para quem essa dieta é direcionada”, comentaram os autores. Trocando em miúdos, o que funciona para uma pessoa nem sempre dá resultado para outra. Cada um necessita de orientação individualizada.

Um bom endocrinologista poderá ajudá-lo a melhorar sua alimentação, além de encorajar a prática de exercícios físicos. A mudança de hábitos pode ser suficiente para se livrar dos quilos adicionais. Ou não. Há quem precise do auxílio de medicamentos. Fazer as pazes com a balança é possível, mas soluções milagrosas não existem.