DE OLHO NA TIREOIDE

Alguns médicos (ginecologistas, clínicos gerais) têm solicitado de rotina o ultrassom da tireoide. O exame vasculha essa glândula, localizada na base do pescoço, em busca de tumores. Se o laudo acusa a presença de um nódulo, ficam preocupados e já pedem uma punção para biópsia, a aspiração de células por meio de agulha para análise no laboratório, o que nem sempre estaria indicado. Quer dizer, a prescrição indiscriminada de um exame importante como o ultrassom de tireoide tem levado à realização de punções desnecessárias.

Para evitar essa distorção, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) divulgou um trabalho produzido pelo Colégio Americano de Radiologia (o ACR TI-RADS), em 2017, que estabelece parâmetros para avaliar se um nódulo descoberto nessa glândula durante o exame de ultrassom requer mesmo uma punção aspirativa. A tecnologia evoluiu tanto que hoje é possível detectar lesões mínimas que não oferecem perigo algum, sobretudo em pessoas que já passaram dos 50 anos de idade.

Para determinar a necessidade da punção, é preciso analisar fatores como o tamanho do nódulo, a composição (sólido, cístico ou misto), o formato (simétrico ou mais largo do que alto), se as margens são bem definidas ou irregulares, se há presença de vasos sanguíneos e, em caso afirmativo, se eles estão apenas na periferia ou também na área central, além da presença de calcificações no seu interior. Ao concluir que as características são de um nódulo benigno, a orientação é observá-lo ao menos uma vez por ano. Se houver indícios suspeitos, tiver mais de 2,5 cm de diâmetro ou se os parâmetros mudarem com o tempo, então a biópsia está aconselhada.

Encontrar um tumor maligno é um fato raro. Por isso, não se recomenda que o ultrassom da tireoide seja feito de rotina nos check-ups, mas apenas em situações específicas, por exemplo, quando há histórico familiar da doença ou o médico identifica um caroço suspeito ao examinar o pescoço do paciente.

O exame físico feito pelo endocrinologista é muito importante, pois muitas vezes o paciente vem ao consultório para um propósito e pode ser diagnosticado um problema maior.

Atendi uma jovem que veio até o meu consultório para emagrecer. Durante o exame físico, palpei um nódulo na tireoide. Pedi uma ultrassonografia com doppler colorido. E a imagem apresentava todas